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  <title>amor</title>
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  <pubDate>Tue, 31 Jan 2012 14:28:56 GMT</pubDate>
  <title>sobre o amor</title>
  <author>m-aresta</author>  <link>http://maresta.blogs.ua.sapo.pt/20767.html</link>
  <description>&lt;p&gt;Tenho pensado muito nisto, no amor. Um pensamento estranho - contudo incontrolável e incontornável -, quando as notícias só falavam de crise, de solidão, de falta de afecto... não é?&lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Este fim-de-semana, num dos projetos em que me envolvo uma vez por mês, tive acesso a uma lista de nomes de pessoas que, este ano, fazem 50 anos de casados. 50 anos. Cinquenta. Casados em 1962, quando o namoro era pouco mais ou muito menos que um beijo, quando não se gostava - porque não se conhecia nem se sabia - dos mesmos filmes, dos mesmos livros, das mesmas viagens ou da mesma música.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E foi isto mesmo que me fez pensar no amor. Que amor é este, que amor foi este, como surgiu este amor num tempo em que o namoro (como nós o conhecemos) não existia? O que terá levado estas pessoas a gostarem uma da outra, e a decidirem construir - ao longo de uma vida felizmente longa - uma vida feita de duas vidas?&lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ontem, o &lt;a target=&quot;_blank&quot; href=&quot;http://www.youtube.com/watch?v=mNK6h1dfy2o&quot;&gt;vídeo&lt;/a&gt; que o &lt;a target=&quot;_blank&quot; href=&quot;http://nitratodocaos.blogs.ua.sapo.pt/&quot;&gt;Luís&lt;/a&gt; partilhou no Facebook fez-me de novo pensar nestas coisas. Lembrei-me de um casal que tenho o privilégio de conhecer: os dois na casa dos 70, ele com o corpo dobrado pelo tempo e ela com a mente quebrada pelo alzheimer.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Passeiam os dois, de braço dado, ela a perguntar - de cinco em cinco, de dez em dez minutos - o nome das pessoas com quem se cruzam. E, de todas as vezes, ele aperta-lhe na mão e responde com doçura: &amp;quot;é a Mónica, é o Carlos, é...&amp;quot;. Vez após vez. Repetição após repetição. Sorriso após sorriso. Sem nunca se cansar, sem nunca se irritar. Uma tarde inteira. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;E eu pergunto, na ignorância dos meus 36 anos: que amor é este, paciente e que nunca se enerva? Que afecto é este que dura e se renova enquanto as memórias se apagam?&lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;E lembro-me, ainda, daquela senhora que aos vinte e poucos anos fica viúva, com quatro filhos pequenos, aos quais não deseja impor o amor de um novo pai. E de como - vinte anos depois - recebe com doçura e gratidão o amor de um homem que a amou toda a vida, que respeitou o desejo dela e esperou, durante todo esse tempo, pela retribuição e confirmação do amor que sempre sentiu. E que viveu, com ela e junto, 16 anos de uma felicidade imensa.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E eu pergunto: que amor é este, feito de fé, que perdura ao longo de duas décadas, alimentando-se do desejo e da promessa de vir a ser - um dia - aquilo que durante esse tempo foi só uma esperança?&lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;São histórias que conheço, que me são próximas e para as quais olho com carinho.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Porque um dia gostava de responder às questões que coloco hoje. Porque olho para mim, para nós...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;e penso que nos faz falta amar assim...&lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
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