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  <title>palco</title>
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  <pubDate>Tue, 05 Jun 2012 10:10:24 GMT</pubDate>
  <title>Questão de investigação</title>
  <author>m-aresta</author>  <link>http://maresta.blogs.ua.sapo.pt/23344.html</link>
  <description>&lt;p&gt; - Gostas de mim?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Sabes que sim.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Porquê?&lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;margin-left: 40px; &quot;&gt;Ah, este nosso hábito de classificar, codificar e avaliar tudo em palavras. As coisas - objectos, sentimentos, criaturas - só existem quando uma designação lhes é dada, como se as coisas e os objectos e os sentimentos se resumissem e definissem pelas letras que compõem o seu nome.&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;margin-left: 40px; &quot;&gt;Precisamos de explicação para tudo. Tudo tem de ter uma razão, um sentido, analisado com um método. Um &amp;quot;sim&amp;quot; não nos basta, e um &amp;quot;não&amp;quot; tem de ter um porquê. Aquilo que não conhecemos perturba-nos, aquilo que não sabemos como definir tira-nos o equilíbrio.&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;margin-left: 40px; &quot;&gt;Precisamos de estabelecer uma relação entre isto e aquilo, saber onde tudo fica, para que o cérebro - que se habituou à lógica e à matemática e à razão que o coração desconhece - compreenda, perceba, classifique, para que assim tudo faça sentido. &lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;margin-left: 40px; &quot;&gt; &lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;margin-left: 40px; &quot;&gt;E dizemos que é amizade ou mais que isso, que é amor ou menos um pouco, que é paixão mas não tão quente quanto. E isso cansa. E como acreditamos - pela experiência que achamos ter - que as palavras perdem o sentido quando as dizemos muitas vezes (experimentem dizer céu vezes sem conta, e perceberão o que quero dizer com isto), evitamos repeti-las e guardamos, para quando e quem merece, aquelas (palavras) que nos são caras.&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;margin-left: 40px; &quot;&gt;Ou então codificamos. E o amor é filial, ou paternal, ou conjugal. E temos melhores amigos, e amigos de ocasião. E tentamos - nesta ânsia insana de designar e codificar tudo - criar escalas de valores para, num olhar mais ou menos demorado, sermos capazes de perceber onde nos encontramos. Onde colocamos o outro relativamente aos outros. Onde fica aquilo que sentimos e que, ainda não sendo amor, também já não é amizade.&lt;/p&gt;&lt;p style=&quot;margin-left: 40px; &quot;&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Gostas de mim?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Sim.&lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Desta vez não perguntei porquê. E assim fiquei feliz.&lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
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